SEGURANÇA TERCEIRIZADA
Protegido 24 horas
Silva Júnior/Comércio da Franca

Placa de empresa afixada na parede de entrada da DIG informa que a delegacia conta com monitoramento particular 24 horas por dia: “Seria até burrice de nossa parte não usar a tecnologia a nosso favor”, justifica o delegado Wanir da Silveira Edson Arantes da Redação

“Sorria! Você está sendo filmado”. Poucas pessoas devem ter atentado para o detalhe, mas as plaquinhas de metal com a simpática frase, tão comuns em lojas e residências, também estão estampadas nas fachadas de delegacias da cidade. Por mais espantoso que possa parecer, unidades policiais que têm a atribuição de cuidar da segurança pública também contam com serviço de monitoramento eletrônico fornecido por empresa privada, a Scala. Para a Polícia Civil local, a prática é “normal” e não pode ser encarada como vergonha.

O que pode parecer natural para o Estado é encarado com ressalvas por cidadãos comuns, aqueles que confiam sua segurança à polícia. “Ao passar em frente à delegacia central, me deparei com uma placa de serviço terceirizado de segurança, onde se lê ‘monitorado 24 horas’ pela empresa tal. Esta placa também se encontra na recepção. Pergunto: quando a polícia precisa de monitoramento do tipo, o que será de nós?”, questiona um assinante do Comércio que pediu para não ter o nome divulgado.

O leitor se refere às placas afixadas na porta de entrada do 1º DP e da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), ambas situadas em mesmo prédio da Rua Major Claudiano, Centro. O Plantão Policial, que funciona das 18 às 8 horas, fica a 50 metros de distância. As demais delegacias da cidade também contam com o sistema.

O delegado-titular da DIG, Wanir José da Silveira Júnior, disse não ver problemas na medida. Ele justifica que as unidades policiais não têm expediente noturno e ficam sem policiais no horário. “Com o monitoramento, somos avisados imediatamente quando alguém tenta entrar no prédio. É importante ressaltar que o alarme é acionado diretamente nos telefones dos policiais das unidades e não na empresa. Em caso de problema, há uma resposta imediata da polícia”.

Segundo o policial, o monitoramento por alarme é importante para resguardar as delegacias da ação de criminosos, pois a maior parte delas guardam armas, drogas e inquéritos criminais. “Esses materiais ficam em cofres, mas é preciso se precaver e manter uma vigilância total. Seria até burrice de nossa parte não usar da tecnologia a nosso favor. Temos é que avançar e buscar meios que aumentem a eficácia de todo o sistema de segurança”.

O delegado seccional, Maury de Camargo Segui, informou que a polícia é autorizada e dispõe de recursos para adquirir sistemas de seguranças junto às empresas privadas. “Como temos outras necessidades, não fiz investimento nesse tipo de serviço. Os equipamentos instalados nas delegacias foram doados à polícia”.

Procurado pela reportagem, o diretor da empresa de monitoramento eletrônico, Luiz Wagner, confirmou a informação. “Foi uma gentileza. Eles fizeram o pedido e nós atendemos. Não é para ter favorecimento. Foi uma forma de marketing, de propaganda”. As placas têm o nome e telefone da empresa. O monitoramento começou a ser instalado gradualmente há um ano. No período, não foram registradas invasões nas delegacias.

Segui: ‘Não acho vergonha a gente admitir a realidade’

O chefe da Polícia Civil em Franca, Maury de Camargo Segui, encarou como normal o fato de as delegacias da cidade contarem com sistema de monitoramento eletrônico fornecido por empresa particular. Saiba o que ele tem a dizer a respeito.

Comércio - A medida não passa a imagem de que a própria polícia não está confiando no sistema de segurança do município?
Maury de Camargo - Mostra a realidade em que vivemos. Mesmo você tendo um sistema de segurança que envolve duas polícias, uma de policiamento preventivo (Militar) e outra de polícia judiciária (Civil), existe a possibilidade de os prédios privados ou públicos serem arrombados. O prédio público exige atenção especial, pois é de todos nós. As delegacias não têm vigilância feita por homens à noite, como ocorre no Batalhão da PM, no próprio Tiro de Guerra e em alguns próprios municipais.

Comércio - Como os equipamentos foram adquiridos?
Maury de Camargo - É possível e legal a Delegacia Seccional pagar por este tipo de serviço. Basta fazer uma licitação. Não foi o caso. Tenho necessidades mais importantes em Franca para usar nossos recursos. No caso, os equipamentos nos foram doados pela empresa. Não acho vergonha a gente admitir a realidade, qual seja: mesmo os prédios da delegacia, que não têm vigilância física à noite, precisam de cautela, precisam de cuidado. As unidades estocam armas, drogas, arquivos e inquéritos policiais. Então, pode haver interesse na destruição do patrimônio.

Comércio - Não é antiético a polícia ganhar equipamentos de empresas particulares?
Maury de Camargo - Nunca recebi a visita de nenhum representante da empresa e nem me foi pedido absolutamente nada. Se precisarem, serão atendidos como uma vítima normal, como são todas as pessoas. Cuidar do patrimônio público é uma virtude e não um sinal de fraqueza.

 

Fonte: Jornal Comércio da Franca
Quinta-feira, 23 de agosto de 2007
http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=20512
 

 

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